quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A nossa despedida - Parte Final - Cô

Tio, você sabe: por mim, eu não deixaria isso aqui não, bicho. Pô, são oito meses! Conta aí. Foram oito meses inteirinhos sem cometermos bloguicídio! Nem parece coisa nossa, ó! Velho chato, ranzinza, picuinhas, complexado, teimoso e chato de novo! Pô, eu tinha esperança de que isso aqui durasse pelo menos um ano, bicho. Só que aí vem você, com aquele espírito revolucionário, cheio de luzes nos pensamentos e blá blá blá, e diz: “ Vamos fechar o Manière e está acabado!”. Mas e aí, e eu? Aí phodeu.
Bem, mas quando eu aceitei vir para cá com você, eu já sabia que, mais cedo ou mais tarde, este dia iria chegar. Só não esperava que fosse tão cedo, mas tudo bem. Você o quis abrir, você decide quando parar, até porque sem o meu tiozão não tem graça. Eu aceito, não concordo, mas aceito.
Bem, acho que o essencial você já disse. Tudo se resume a mudanças, mas acho que estas mesmas mudanças poderiam ser feitas aqui dentro. E os bonequinhos ali em cima? Pô, escolhi com o maior carinho…tive o maior cuidado para escolher um carinha bem parecido contigo…e…e…enfim.
Tio, estamos aí, tá? Talvez não com a mesma frequência de antes, mas com o mesmo amor e admiração.

É isso, bicho.


Um grande beijo ao pessoal,

Cô.

A nossa despedida (parte I, Jean Valjean)

Cô, que bom v. haver aceito iniciarmos um novo blog.
Acho que, de certa forma, terminei um ciclo de minha vida. Agora entro em outro. Vida nova, blog novo, novos desafios, novos frios na barriga, novas emoções.
Quero renascer, reviver e, só se for o caso, um dia, 'remorrer'.
Que venha uma nova manhã, uma nova alvorada. Que venham os dilúculos matinais e vespertinos. Que o samsara da vida se faça, e que possamos saudar a vida que chega.
Vou entrar nu e de braços abertos num vergel que vislumbro à frente, referto de belas e coloridas vergônteas, olentes, orvalhadas, ridentes e esparramadas pelos canteiros onde antes havia tristeza.
Ontem 'morrideitei-me', hoje 'renasciergui-me'. Mutatis mutandi, no outro blog faço a minha parúsia.
Se bem sei de você, sobrinha, você também está mudando de etapa: fim de um ciclo, início de outro. Que nos sorria a sorte, pois para mim há um sorriso lindo, de lábios doces, de coração aconchegante, de pensamento liberto e aberto para o mundo.
Vamos lá?
Nossos leitores que desejem nos acompanhar - o que sempre é bom demais -, eis-nos em
Abreijos a todos(as)!

domingo, 15 de agosto de 2010

Je vous remercie

Je vous remercie, ma chérie, d'être née. Il y avait quelque chose de vide dans ma poitrine, mais maintenant il ya des marguerites à ce lieu là...

Tes yeux,
ta touche,
tes cheveux,
ta bouche,
toi...

Ta peau,
t'allure,
de l'eau,
tout est beau,
tout est bon,
je t'assure!

Tu est présent,
présence,
vie,
lumière...
Tu est amie,
femme,
ma fille, ma mère,
amante,
parfum,
chanson,
sentiment
et raison.

Ma joie,
mon soleil,
ma lune
à la nuit obscure...

Tu est
simplement
mon tout.

O passado, no futuro - Jean Valjean

Aquele ontem que morreu um dia
e transformou-se no hoje sem futuro,
de repente saiu de trás de um muro
na ânsia de viver uma alegria.

Mas se morreu, por que renasceria?
Por que sairia assim dum beco escuro,
feito o lixo que foge do monturo
pra ver nascer o Sol, com euforia?

Em verdade, não era o tal passado;
em verdade, não vinha sem porvir;
em verdade, ele era só o presente.

Presente que está ali, mas não se sente,
mas que basta deixemo-lo sorrir,
e apontará o futuro tão sonhado...

o verbo «Ser» não se conjuga na primeira pessoa,
e as restantes pessoas não são aquilo que eu julgava ser.
conjuguemos, então, um verbo que não
transite de pessoa à pessoa, mas que
estagne nos intervalos de cada uma.
Sejamos o hiato entre o «sou» e o «és».

Esqueçamos o «somos».

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Terei perdão?

Estávamos todos no pátio, a “ouvir” o padre falar. Era uma missa, creio - creio, porque não tava nem aí. Queria saber o que é que ele tinha naquela taça. O que é que ele colocava na boca das pessoas, enquanto circulava pela gente. Estava lá, toda contente, possivelmente armando uma das minhas. Queria que ele chegasse logo, queria ver o que é que ele trazia aliiiii! 

Curiosidade de criança é f*da.

À medida que ele foi se aproximando, notei que ele dizia alguma coisa ao colocar aquele troço na boca das crianças, mas não conseguia entender o quê. Deixei prá lá e decidi aguardar pacientemente que ele chegasse, em vez de puxar a barra da calça da professora e correr o risco de levar uma bronca daquelas.

Finalmente chegou, só faltava mais uma e depois era eu. Preocupada, pensando que quando fosse a minha vez já não teria aquele troço pra mim, me mostrei ansiosa.

O Padre disse:
- Levante-se, filha.

Ué, levantei.

Ele ergue o negócio aos céus, e eu acompanho a sua mão, atentamente, com os meus olhinhos amendoados. 
Vejo a sua mão(zona) aproximar-se da minha boca, e hoje a única coisa que me lembro é isso:
- Corpo de D….(NHAC – mordi o troço) - …eus.

Ficamos nos olhando durante alguns instantes. Eu, mastigando aquele troço sem gosto, sem sabor nenhum. Ele, sem saber se parava a missa ou seguia a boiada. A professora, morrendo de vergonha, é claro, me deixou de castigo durante doiiis dias!!!
Foram dois dias inteirinhos sem poder ir para os recreios, sem poder comer o meu croissant de frango com catupiri…Sem poder ir vasculhar os quartos das freiras...

Pois é, está aí o meu primeiro contacto com Deus. Estou certa de que Ele nunca se esqueceu.

O Guerreiro.



Partiu para a guerra
Com um propósito:
Conquistar novas terras,
Matar muitos homens.

Voltou de lá sem nada,
Roto e cadavérico:
Morto de fome.

Tio, se eu te dissesse que me engasguei de rir ao ler esta p*rra

Você acreditaria?
É tão idiota.

O texto é da Sarah - ( achado não é roubado!)


Tempo maldito. Causador da minha insónia e da rouquidão dos meus gritos. Vire-me do avesso, por favor. Permita-me exibir minhas veias aos olhos dos furacões e tornados. Deixe-me andar com o coração agarrado aos ossos das costelas, enquanto os meus olhos ameaçam saltar dos seus penhascos. Faça com que nas minhas mãos circule o sangue que me falta ao resto do corpo, pois somente assim serei capaz de escalar os imalaias que me encarceram. Roube-me de mim: prometo que não darei pela minha falta.

Liberte-me desta jaula a que todos chamam corpo, mas que eu denomino maldição. Rompa-me os tímpanos para que eu já não ouça as vozes dos que me habitam, e depois grite bem alto todas as verdades que sempre quiseste que eu escutasse. Prometo que o ouvirei com atenção. Cosa-me os lábios, corte-me as pernas, transforme-me num ser invertebrado. Deixe que eu me arraste entre os brotos e raízes, e ides para longe de mim. Leve-me para longe daqui, mas não contigo. Tu, que és por excelência o maior dos ilusionistas, transmute-se no casulo de onde eu não deveria ter saído.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sobrinha: um nome injusto para a minha Garota Maravilha


Volta e meia eu assunto (do verbo assuntar) com minha sobrinha. Se o nosso DNA é o mesmo, o que houve? No dela, a seleção dos melhores itens; no meu, a dos piores. Ela é génio, eu normalzin, normalzin.
Conversamos de igual para mais que igual. De igual para maior. O igual sou eu, mas igual aos outros, e não a ela. Ela é mais que igual, é maior.
Por isso, esse título "sobrinha", que parece uma pequena sobra, do almoço ou do jantar, não é legal.
Diálogos imaginários para formação da palavra "sobrinha", e futura negação:

1) Alguém bate à porta:
TOC, TOC, TOC...
A Dna. Maria abre e ouve a pergunta:
- Dna. Maria, estou morto de fome, a Sra. tem comida?
- Olha, não tenho, mas... espera, espera, vou ver se tem uma sobrinha.
E traz, num pires.

2) O marido mineirinho, para a mulher mineirinha:
- Muié, a janta estava ótima.
- Que bão, bem, quiocê gostô.
- E sabe, muié, que ainda tem espaço no meu bucho?
- Ué, pera, vou ver se tem uma sobrinha.
E traz, num pires.

3) A Cô manda ovos moles pelo cô-rreio, para o tio.
Eles chegam, e o tio, desesperado, enfia tudo, tudo, tudo na boca.
A Repolhuda o vê comendo e pede, desesperada:
- Ei, você comeu tudo, não tem nem uma sobrinha?
E o tio, azedo:
- Vou ver se tem.
E traz, num pires (mas só migalhas que lhe escaparam da boca).

4) A moça chega para a mãe, meio constrangida, e diz:
- Mamãe, estou grávida.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
E cai no chão, batendo a boca.
Chama-se o SAMU, a mãe vai para o hospital. Reanimam-na. Ela acorda e pensa que sonhou...
- Filha, o que houve? Eu fui atropelada?
- Não, mãe, você desmaiou quando eu contei que estou grávida.
Aí a mãe pensa, pára, pondera e diz:
- Filha, mas ele não usou camisinha?
- Usou, mãe, mas quando a retirou, escorreu lá uma sobrinha...

Exemplos hediondos, e tudo para dizer que minha sobrinha não é esse tipo de sobrinha. Esse tipo de sobrinha aí sou eu. Ela é TUUUDOOOO! É prato principal, panela cheia, tacho transbordando, fonte cristalina, etc. Nada de sobrinha: completude, totalidade.

E tenho dito!

Supernal

Our heart is the only door
which not closes - eternal;
it can so much!, it can more...
it's wonderful and supernal.



Dá um pouco de vergonha de dizer, mas os versitos sem pé são meus.

domingo, 8 de agosto de 2010

O desejo de um 'sempre' (Jean Valjean)



Que não se perca o ar desta esperança,
que não se torne lágrima o meu riso.
Chorar ou navegar é tão preciso...
viver é naufragar mesmo em bonança.
Você já teve em mãos um diamante,
a flor mais linda, ou a mais perfumada?
Já viu a cor mais pura e mais radiante,
já acreditou que existe a alma amada?
Que não se perca esta oportunidade,
que não se perca o hausto respirado;
que não se perca um bem tão desejado...
que não se perca em prantos de saudade.

Eu quero eternizar a eternidade
de um só momento pleno de verdade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Sonhei...



Hoje dormi e sonhei.
Sonhei que fui feliz.
Entendi que não há lugares,
mas apenas pessoas certas.
E então acordei.
Ficou a memória.
Ficou um pálio da luz que me iluminou o sonho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010




AI AI, VIU?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010



Sejamos inteiros
Enquanto não quebrarmos.
Enquanto o vaso não cair 
Das mãos da Cinderela,
Pelos degraus inclinados.

Juntos, contemos as estrelas
Fingindo que nunca morreremos.
Enlacemo-nos como os planetas,
E desfrutemos a nossa rotatividade.

Meu amor,
A felicidade encontra-se
Na banalidade.
Tudo o que é complexo demais,
Um dia parte.

Sejamos felizes nas coisas pequenas.
Troquemos o boa noite pelo boa tarde,
Pois nunca é tarde
Para amanhecermos contentes.

Deixemos os nossos sonhos
Pela metade,
Pois a vida, meu amor, é infinita.
E tudo aquilo que é eterno,
Tem prazo de validade.

Os ovos moles...



Rodo o supermercado feito um louco, e nada.
- Moça, onde estão os ovos moles?
E ela faz uma cara esquisita, franze o cenho, torce a boca e aponta numa direção X. Eu vou. Chego lá, eis que encontro os ovos. Ovo de galinha, sabe? É aquele que tem casca, vem na embalagem de papelão, enfim. Resolvi voltar a falar com a dita cuja:
- Moça, os ovos que você me apontou não são os que procuro. Quero ovos moles.
- Meu senhor, existe algum ovo que não seja mole? A casca é dura, mas quebra fácil. O que vem depois é mole!
Era daquilo que eu estava, mesmo, precisando. Ser tratado como retardado, no momento de desespero pelos ovos moles.
- Ok, moça, não faz mal. Vou procurar nas geladeiras, do outro lado.
- Senhor, a gente não deixa os ovos na geladeira.
- Obrigado, moça!
Fui para o outro lado do mardito PDA. Olhei as geladeiras todas, e... nada. Nisso vejo um rapaz, também funcionário da rede. A ele:
- Moço, onde estão os ovos moles?
- Ah!, os de Aveiro, né?
Aleluia... Jesus escutara as minhas preces. Exultei. Quase ergui as mãos para o Céu, a fim de louvar. Respondi, animado:
- Isso, os de Aveiro, que vêm naquele vidro grande, amarelos como o ouro, doces como a cana, perfumados como as flores orvalhadas nos vergéis da Alsácia (isto foi poesia para vocês, ok?, eu não falei para ele).
- Sabe, senhor, estão em falta.
- Glup... (barulho que o Maurício de Souza usa para os personagens dele que engolem seco). Em falta?
- É, às vezes a gente não fecha com eles, pois cobram muito caro. Tem que negociar, né, senhor?
- É...
Sem alternativa, resolvi apelar. Fui a outra geladeira e comprei um daqueles queijos franceses nojentos, que vêm com escorpiões, vermes, bactérias e espermatozóides dentro. Aqueles que você corta e precisa ainda tirar a no-to-cor-da, o cordão umbilical, e os fungos, cancerosos e cancerígenos, estão mastigando suas próprias metástases.
Comprei aquela bosta, uma geléia de pêssego e vim para casa. Jantei isso aí.
Nôja.
Sobrinha, eis aí. Não ria do pobre tio... mas um dia ainda vou contratar o Mayer, ligar a webcam e, quando você estiver toda animadinha olhando, beijo-o na boca, tá?
Jararaca mirim!!!

A minha sobrinha é uma gracinha!


Minha sobrinha é uma gracinha.
Hoje, entretanto, eu estava trabalhando e ela apareceu no msn:
- Tio, está aí?
- Sim, Cô! Para você, seeempreee!
- Pede a minha webcam.
- Linda, estou trabalhando. É urgente?
- Sim, pede, tio, pede.
Pedi.
- Linda, por favor, não vamos demorar muito, pois o tio tem reunião quiapouquin, tá?
- Claro, tio, claro!
Eis que, então, aparece a imagem de minha linda sobrinha: carinha de criança, bochechinhas rosadas, dentes alvos, covinhas ao sorrir e... uma caixa de ovos moles de Aveiro.
Sim!
Ela mostra para a webcam (digo, para mim, morto de fome) uma caixa de 200g de ovos moles de Aveiro. Eu olho aquilo, sem entender bem. E ela:
- Tio, você lembra que eu falei, um dia, que quando comprasse estes ovos moles aqui, ia mostrar para você e ia comer na frente da webcam?
- ... sssim...
Eu mal podia crer que ela fizesse isso comigo. Pois fez. Abriu a caixa e começou:
- Tio, veja que deliciosos!
E os quebrava ao meio. O recheio escorria, e ela comia o docinho.
Minha glicemia foi baixando. A pressão foi subindo e... ai, que vontade. Meu café da manhã havia sido apenas meia maçã e um pedaço de queijo fresco.
Nesse clima de terror, com sorriso nos lábios, ela engoliu uns 6 ovos moles e eu babei sobre o teclado.
Nada mais a declarar.
Mesmo assim, eu a amo.

Pré - Defesa da Sobrinha.


O meu tio parece não ter aceite que a sobrinha cresceu. Tudo ele reclama: comportamentos, roupas, pensamentos, filosofias, posições fotográficas, casos amorosos, entre outros.
E eu não entendo, porque todos sabem que ao lado dele eu sou super comportada. Todos são crentes de que a tia sou eu, e ele o sobrinho desmiolado. Todos me perguntam: “Como é que você aguenta?” E até hoje não encontrei uma resposta.
Ele fala do meu mal comportamento, mas se fosse eu a autora do post anterior, claro, trocando o bilau pela xoxota, ele se mostraria super indignado, e exigiria explicações cabais sobre cada palavrinha proferida. Se eu dissesse que ando com a “pachaha” ( versão portuguesa para “ pirsiguida”, "xoxota", entre outros) hidratada, ele me estrangularia num piscar d’olhos!
Ora pois!
O meu tio quer que eu ande de burca, que case virgem, que obedeça o maridão e tenha uma ninhada de enfants! Coisa de quem come esfirra o ano inteiro, quibes e levanta às 3 da matina para tomar sopa de feijão com macarrão! Mas as coisas não são assim: aqui só se consegue comer ovos-moles e pouco mais.
Enfim.
Isso tudo é para dizer que qualquer crítica que o meu bicho faça é infundada; Todas as provas que ele apresente são circunstanciais e nada comprovam; E todas as acusações contra a minha docíssima figura são mentira! 

É MENTIRA! TUDO MENTIRA, Ó!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Higiene íntima

Então... há poucos sabonetes íntimos masculinos no Brasil. Os importados custam os olhos da cara. Sendo assim, nada vejo contra o fato de o homem que se preocupe com higiene lá na região dos países baixos use o feminino. Este aí em cima é só um exemplo. Há o Vagisil e o Lucretin, também, que me parecem ótimos. Meu bilau ainda não caiu, e já faz um bom tempo que uso - não sei com qual comecei.
Pois bem: no meu tempo de criança, aprendi que macho tinha mesmo é que cheirar a macho. E a peãozada cheirava a estrume, a vaca, a suor impregnado.
Eu era virgem, não entendia nada. Tomava meu banho e estava bem. Não tinha compromisso sexual com ninguém, pelo que usar ou não usar dava na mesma.
Quando arrumei minha primeira namoradinha, e pela primeira vez na vida vi essa coisa estranha que as mulheres têm entre as pernas; essa gruta vermelha, tão disputada; esse tabernáculo misterioso, esfíngico, tão bem guardado sob alfaias, enfim.Quando pela primeira vez vi esse troço aí - chamem como quiserem mas não venham me constranger, ok? -, entendi que se estivesse cheirosinha, era bem melhor. Não precisava, não, cheirar a perfume, mas também não podia cheirar a decomposição, fim de feira ou o que o valesse.
O tempo foi passando, e fiz uma conexão mental que me pareceu coisa de gênio, à época:
- Ué, Valjean, se você prefere uma xoxota bem tratada, por que a mulher que vá "procurá-lo" deveria querer um bilau cheirando a queijo velho, ou a pastrame?
Foi então que resolvi começar a aderir aos sabonetes íntimos.
Acho que fiz bem.
E hoje sou franco adepto, falem o que quiserem: viadinho, esquisito, macho-meio-fêmea? Ora, higiene, gente, acima de tudo.
Pelo menos é o que me parece, meu.

Se o cérebro pensasse menos e amasse mais, e se o coração amasse menos e pensasse mais... tudo não seria perfeito?

domingo, 1 de agosto de 2010

" Cansado da sua imagem de bad boy, Alexandre Frota vira evangélico."


Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!
(pausa para respirar)

Bem, depois que o Rodolfo, ex vocalista do Raimundos, virou cantor de música gospel, eu passei a acreditar em tudo.  Acho que vou fazer isso também: fazer muita merda, fumar muita maconha, injetar inseticida organosfoforado nas veias, andar toda bombada, fazer filmes pornôs, comer homem, mulher, cachorro, seres inanimados, e quando chegar lá nos quarentões da vida, vou entrar para uma igreja bem podre e dizer que "Jesuis é o caminho!"

Poupem-me.

sábado, 31 de julho de 2010

A questão do Casamento - Uma dupla opinião escrita na primeira pessoa - Por: Sarah e Cô

Acho que a questão da sexualidade nunca esteve tão acesa como nos últimos anos, principalmente agora, com a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo. E no meio disso tudo, há uma coisa que vem me incomodando cada vez mais. 
Unido a este grande passo, vieram os debates acesos, as discussões, os argumentos e, principalmente, uma belíssima dose de intolerância. E é ela que me incomoda. Mas espera, este post não tem o intuito de levantar bandeiras para os homossexuais e companhia, aliás, eu nunca levanto bandeiras por ninguém. Refiro-me àquelas pessoas que sofrem por se manifestarem contra a preferência sexual de determinada pessoa. Que se vêem sufocadas, que são intimidadas por possuírem uma opinião distinta da maioria, e por fazerem questão de não serem politicamente correctas.

Cá entre nós, tem muita gente que se diz à favor desta nova medida, mas que na verdade, bem no âmago do seu ser, não a aprova. Tem muita gente que diz não se incomodar com os homo, bi, tri, trans, pansexuais, mas se formos ver bem, quando confrontadas por algum familiar com alguma dessas preferências, não a aceitam de modo algum. Ainda existe muita gente que diz que SIM, mas que na realidade deseja berrar um belo de um NÃO. Mas e por quê não o fazem? Por quê é que se privam do direito de não serem pró a algo que vá contra os seus valores?

Eu não sei se sou eu que sou muito chata, muito implicante, mas acho que por detrás disso tudo existe um cinismo muito grande. De um dia para o outro, a sociedade tornou-se favorável ao casamento homossexual. Todos aprovam, todos acham que tal acontecimento tem que ser legalizado. Depois de séculos e séculos vivendo num obscurantismo medonho, o povo abriu as janelas e hoje ninguém se incomoda com isso; todos acham super natural dois homens se casarem e usarem vestido, véu e grinalda... Atenção! Eu não sou contra, até porque essa coisa de igreja não é comigo. O que eu quero dizer é: os homossexuais não venceram a guerra, foi o opositor que desistiu da batalha. A sociedade continua cínica, arrogante e preconceituosa como sempre foi! A nossa mentalidade mudou para muita coisa, mas no que toca ao casamento ela continua conservadora. Não cessaram os olhares tortos, as famílias envergonhadas não desapareceram e aqueles que julgam a homossexualidade como sendo uma patologia, continuam achando. Portugal, por exemplo, um país conhecido pela forte presença do Catolicismo, só promulgou o casamento por uma questão governamental. O próprio Presidente da República o disse ao vivo, para todo o mundo ouvir. No fundo, ele só deu o seu consentimento porque este ano é ano de eleições, e ele quer continuar à frente do país. Ponto final.

Voltando aos que são contra e não dizem que o são, acho que têm todo o direito de manifestar o seu desagrado perante tal situação. Não têm o direito de oprimir, de ofender, de humilhar, mas têm o direito de serem contra, sejam as suas justificações aceitáveis ou não. 

A liberdade de expressão está e sempre esteve em crise, e no fundo aqueles que levantam suas bandeiras, não o fazem sem pisotear a bandeira de outrém. No nosso meio, o tirano passa a oprimido numa questão de segundos, e vice-versa. É por isso que permaneço neutra na maior parte dos casos. E neste tema em particular, opto pelo mesmo: não sou contra nem sou à favor, porque creio que não temos que ser prós nem contra a opção sexual de alguém. O que acho intolerável é a falta de respeito existente dos dois lados: se alguém diz que é contra, pode esperar porque logo cairá meio mundo de gente cínica em cima dele. Se, por outro lado, manifestam-se à favor, esperem o mesmo. Todos querem ter a palavra sobre uma opção que nem sequer deveria ser colocada em causa(...)

 E aí, como ficamos? Promulgamos o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque realmente o vemos com naturalidade, ou o fazemos simplesmente para que se silenciem as vozes de uma vez por todas, ainda que isso implique uma falsa sensação de justiça ?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Diálogo com mamãe, aos 8 anos de idade

- Mãe, em que a mulher é tão diferente do homem?
- Ah, filho, a mulher tem o ventre, onde as criancinhas crescem.
- Hm... e não tem piupiu?
- Não, filho. Isso aí só os homens têm.
- E é bom, mãe?
- Hein? Como assim "é bom?" (já estava me levando a mal...)
- Ué, mãe... é bom ter ou não ter piupiu?
- Não sei, filho. Como eu não tenho, não posso avaliar.
- Você queria ter, mãe?
- Não! Claro que não! Ô menino curioso!
- Hm...
- Mãe?
- Diga, filho, diga.
- Fora isso, outra diferença além do aspecto?
- Não, filho.
- As mulheres fazem cocô mais cheiroso?
- Não filho, é a mesma coisa.
- E xixi, mãe, é igual também?
- Tudo igual, filho.
- Suam?
- Suam.
- Cheiram mal?
- Sim, filho, se não tomarem banho.
- Então, mãe, por que as tias ___ e ___ têm cara de quem não faz cocô, xixi e não sua?
- Quieto, Valjean! Vá brincar e me deixe trabalhar.

Ah, os homens mais velhos.... (!)







Pois é... minha sobrinha linda, quando falou de homens mais velhos, escolheu justamente o George Clooney.
Aí, todas embarcaram.
Meu, cai na real. Homem mais velho como o Clooney fica fácil. Vemos aqui uns caracteres mais próximos da realidade, todos eles mais consentâneos com a lógica.
A propósito, eu escolhi todos a dedo, pois que cada um tem um pouco de mim - meus traços, os que herdei de mamãe.
Eis aí uma idéia real de homem mais velho, ora pois, pois!
Tio, é só para te dizer que eu sei de tudo. Ele me contou. Não adianta esconder, porque eu já descobri. Sei de tudo e não há nada que faça mudar a minha opinião. Não se faça de desentendido. Eu sei! Me liga, assim que você terminar de ler esta mensagem.

Anti-Barbie



A minha mãe diz que desde pequena eu sempre fui bem diferente das outras crianças. Às vezes, me separava do rebanho para ir brincar sozinha, outras, brincava sozinha dentro do rebanho. Gostava dos amiguinhos, mas se pudesse ficar num canto falando com os meus botões, de preferência sentada na areia, melhor ainda. Não gostava da Barbie, mas batizei a minha cadela com o seu nome. Pois é, a cadela morreu e a maldita boneca existe até hoje.
Mas há uma coisa em particular que me recordo bem: o de ganhar bonecas (não-barbies). Adorava-as tanto, que a primeira coisa que eu fazia era despi-las. Verdade. Existem aquele grupo de meninas que cortam os seus cabelos; Existem aquelas que as maquilham; Outras as enterram; Outras perdem as pernas, braços e cabeça. As minhas, eu despia uma a uma e fazia um montinho de roupinhas de um lado e de corpos de plástico do outro. Coisa macabra, né? Para além disso, adorava mastigar os sapatinhos de plástico, comi as flores que uma delas trazia entre os cabelos, e até mastiguei o pé do Piu-Piu, um chaveirinho que a minha avó havia me dado. Ah, sem falar no dia em que comi uma pedra de sabão, pensando ser um pedaço de doce de leite...

Pô, falando assim dá até medo.

Os homens mais velhos!


O meu tio sabe que eu adoro um cara mais velho. Mas mais velho mesmo. Não um ou dois anos mais velho, mas uns 20 ou 30. Sabe, mas detesta e vive dizendo que sou louca. Sempre que eu aponto o dedo a um coroa inteirão, ele diz: “ Esse cara tem idade para ser o teu avô” ou “ Vai lá, se joga em cima dele! Só vai se cansar, porque esse aí já não dá mais tiro.” ou “ Cê vai ver só…na primeira cag*da no fraldão, você sai correndo..” Enfim, ciúme de tio.
Mas eu não sou a única. Hoje em dia, encontrar uma jovem que manifeste interesse sexual por um quarentão, cinquentão ou até sessentão, não é assim tão incomum. Em primeiro lugar, homem velho, homem idoso, para mim, é só a partir dos 70. Aos sessenta é maduro, aos cinquenta é adulto, aos quarenta é jovem, aos trinta é uma criança e na casa dos vinte é feto. Eu não tenho culpa que assim seja, é um fato. E que lance o primeiro coroa quem não concordar comigo!
E sabem por quê é que nós, jovenzinhas na casa dos vinte, nos encantamos pelos jovens da vida? É simples, porque têm a experiência de vida que um feto não tem, e porque enquanto o feto procura diversão e quase sempre não leva nada a serio, as jovens buscam a estabilidade e a consequente maturidade que só os quarentões, cinquentões, sessentões e, com sorte, os trintões beirando a juventude, possuem.
Nós não temos culpa! Se o meu tio estivesse me lendo neste momento, diria num tom freudiano: “ Vocês transferem para o sujeito uma imagem totêmica freudiana!” Olha, esse seria o caso se possuísse algum tipo de carência paternal, mas não é. Isso acontece porque o homem mais velho, inteirão, com um papo inteligente, atrai sim. Aí, os céticos perguntam: Mas e o mais novo que é tudo isso, não atrai? Atrai mas não é tão interessante. O homem mais maduro tem um ‘ je ne sais quoi’ que faz com que a sirene hormonal da fêmea toque e estremeça tudo lá dentro. E se o cara der corda, se der razões para que essa sirene não deixe de tocar…aí já viu. Por vezes, nem sequer é proposital, mas basta a presença, um bom dia, um beijo no rosto, um abraço, o cheiro do perfume, qualquer coisa…! Para os nossos dois hemisférios cerebrais transformarem-se numa dupla de órgãos sexuais femininos, prontos a serem possuídos.
É errado? É pecado? Sei lá, pode ser, mas eu nunca fui religiosa. Entre olhar duas vezes para um cara 30 anos mais velho do que eu, bonito, charmoso, cheiroso, gostoso, e olhar para um outro de 25 com estas mesmas qualidades, eu torno a olhar para o cinquentão. Sem dúvida alguma! Aliás, um de 50 vale por dois de 25!
 O Jean não engole esta história, eu sei. Mas eu já avisei: ele que tome muito cuidado – não comigo, é claro! Sorte a dele! Deus poupou-lhe de tal desgraça, fazendo-me sua sobrinha (ou seja, com uma desgraça ainda pior) – porque possui todas as qualidades supramencionadas. O mar tá cheio de peixe e não é por ser o meu tio, mas ele é um isco deveras tentador. E tenho dito (tio, não grite comigo!).

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Mar VI

Por que quanto mais pensamos que pensamos mais vemos que nada vemos?
Ou é justamente por isso?
Olhar o mar é ver tudo e, ao mesmo tempo, nada ver.
Singrar o mar é singrar o desconhecido, rumo a um Eldorado que não existe. Nem existirá.

O Mar V

Solidão.
Talvez seja disso que eu precise.
E do barulho do mar, e da imensidão do nada, que se confunde com o Todo.

O Mar IV

A imensidão do mar é a imensidão de meu mundo interior.
O consciente é o barco, que apenas bóia sobre as águas imperscrutáveis.

O Mar III

Oceano de dúvidas,
ondas de indagação,
marolas de perscrutações,
canais de emoções
que se cruzam.

Ilhas de peregrinos,
imersões de que não retornamos,
pesqueiros em que não pescamos,
homens sonhando ser meninos.

Oceano traiçoeiro,
oceano intransponível,
mar de querelas,
de sonhos, indescritível,
mar sonhado e verdadeiro.

Mar revolto, encapelado,
este mar do meu presente
que remonta ao meu passado.
Mar que ainda eu hei singrado,
com as naus de minha mente,
com memórias ao meu lado.

Quero, mar, que me inaugures
pelos olhos, peito a dentro.
Vem, mar, da epiderme ao centro,
e hás de encontrar-me, algures.

E se me achares, oceano,
em algum lugar de mim,
dá-me o mapa sem engano:
talvez eu me encontre, assim.

O Mar II

Quis ir às regiões abissais, não pude.
Pedi ao barqueiro que parasse, quando chegamos a uma piscina natural. Desci. Pão que jogava sobre as águas, peixes ao meu redor. Éramos natureza. Eu era apenas mais um.
Sinto falta de ser apenas mais um.
No seio daquela fantasia, percebi que a realidade, muitas vezes, é fantasia, e só a fantasia é realidade. Acho que vivo do lado de lá do espelho. Do espelho d'água.
Onde está Netuno?

O Mar...

"As marítimas águas consagradas
que do gado de Proteo são cortadas."
(Camões)
Fui viajar. Fui para uma das paragens da Costa Brasileira. Embora não tenha ido só, em dado momento aluguei um barco. Precisava pensar. Era eu (O Velho) e ele (O Mar) - this old man and the sea.
Na hora em que o barqueiro ligou o motor a diesel, pensei em Caronte, mas... quê!? Foi aí que a vida começou.
À medida que nos afastávamos do cais, aquietei-me. O oceano imenso ao meu redor era o mundo subconsciente: cheio de seres que desconheço e jamais virei a conhecer; só que aquele subconsciente é navegável, e "navegar é preciso". O timoneiro traçou uma rota de acribologia imparagonável, e ia me levar a lugares os mais incongruentes, embora não soubesse.
Enquanto ele pervagava a imensidão equórea, eu submergi em meu mundo, em meu oceano interior.
Vi montanhas de dificuldades, cormorões esfaimados, gaivotas à cata de raiozitos de luz, albatrozes à procura de ilhas sobre que se escondessem, as asas imensas, as asas tronchas e cansadas...

sábado, 24 de julho de 2010

Fuga.



As palavras são pequenas pessoas
Que, quando juntas, formam uma cidade
Fantasma dentro de mim.

Tijolo à tijolo,  
Constroem significados
E albergam entre as telhas
Dos telhados, as respostas
Que procuro.

No escuro,
Acendem suas lanternas,
Entrelaçam suas pernas,
E começam a escalar
Todo o meu corpo.

Torno-me
Na mais alta das montanhas
Enquanto durmo.
E quando acordo, sem voz
Nem melodia que me dê corda,
Vomito as entranhas de Procusto. 

As palavras
São pequenos monstros
Aos quais fujo,
Mas elas me perseguem
Dentro de um labirinto
Onde somente Dédalo encontra
Subterfúgio

Cansada, deixo-me levar
Pelo Touro branco 
Em que Zeus se transforma
E vou embora, encontrando
Na Europa, o meu refúgio.
a nossa alma é um poço sem fundo onde cabe tudo: o bem que fazemos e a desgraça que somos. Para quê nos procurarmos tanto? O segredo está em ser incognoscível eternamente.  Desvendar-se, mantendo-se sempre na confortável ignorância de não se saber nada.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Margaridas I e II


Margarida I

Sonhei com a margarida
tão cheia de aroma,
tão cheia de vida.

As pétalas tão macias,
que eu cheirava com cuidado
que eu sentia, inebriado.

Pus as pétalas na boca
e num instante o desejo
tomou-me a mente, tão louca.

Bom sentir aquele cheiro,
seu perfume alvissareiro,
orvalhada de prazeres.

Tomar o orvalho, com sede.
Lamber os lábios de orvalho,
sem deixar nada escorrer.

Seu orvalho, seu perfume...
Da Natureza, um ciúme
no meu peito vi nascer.

Margarida II

Refeito do sonho louco,
esfreguei os olhos baços,
já vermelhos de cansaços.

Sonhei com a Margarida,
mas o desenho animado,
sem perfume, sem agrado,
só a graça pueril.

Ri bastante do meu sonho,
que me deixou bem cabreiro.
A margarida de olores
perfumados com calores
era de outro jardineiro.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cô, hoje eu fiz torta de frango! Hahahaha



Veja só, sobrinha lindinha do meu coração:
eu estava sozinho aqui, e resolvi ir mexer os miolos na cozinha. Há uma certa massa de liquidificador, cuja receita peguei com minha mãe, sua tia-avó, bem fácil de fazer.
O recheio foi todo criação minha: fritei cebola no azeite; quando esta começou a corar, botei alho (porque o alho cresta mais rápido que a irmãzona dele). Aí foram salsinha e cebolinha, que abafei com a tampa, para permutarem sabor com os outros dois ingredientes.
Quando achei que os 4 fantásticos já estavam num ponto de cocção bom, botei lá tomates picados bem pequenininhos e deixei refogar a mistura. A pimenta vai a gosto. Eu prefiro malagueta.
O frango estava sendo frito em outra panela, já desfiado. Veja: não é deep fried, mas stir fried.
Untei a assadeira, enchi com a massa a parte de baixo, depositei ali o meu recheio e coloquei o resto da massa, por cima.
Foram 30 minutos de forno.
Enquanto a torta assava, fui lavando a louça, para poder comer numa cozinha organizada - não sou clean freak, mas também não gosto de baderna, você sabe bem.
Ah, que delícia. E olhe, modéstia à parte. O toque secreto foi pôr um pouco de creme de leite no frango-recheio. Huuummmm!
Eis aí: são estes os prazeres da carne que venho tendo, ultimamente. Hehehehehehe

Como eu queria

um colírio que me desse aos olhos o dom de enxergar a alma!

Espremido entre a realidade e a fantasia ficou apenas o gosto salobro da esperança, esta regada a molho de desilusão...

Para que tantos sonhos, se não se podem realizar?

Post de Retratação - Pedido de Desculpas, de joelhos





Sobrinha, eu errei. Fui maus, fui punk, sou bipolar, tenho TOC, sei lá o que é... sou um M*, é isso.
Para vê-la sorrir de novo, escolhi estas imagens: o gatinho humilde rezando. Aqui ele representa meu pedido sincero de desculpas.
Em seguida, ofereço-lhe uma rosa, com carinho. De cô-ração para cô-ração.
Tudo isso para ver você sorrindo de novo, cô-mo a meninota da última imagem.
Você é a melhor sobrinha do mundo. Insubstituível, é a minha criança hiperdotada, megacefalada, de coração que verte amor e carinho.
É a minha Tudinha, lindinha, fofinha, etc.
Eu adoro você, Cô.
Desculpa aí o seu tio, ó...

Quando a vida perde a razão de ser.... ( A VERDADE)



Ontem fui dormir aos prantos. Finalmente me apercebi que o meu tio não gosta de mim. Só sirvo para resolver os seus problemas amorosos, as suas dores intestinais, para ver novelas sem o Mayer e para dar-lhe alguns auxílios acerca do youtube pornô. Enfim, ele me explora e não sente remorso algum.

Mas a estúpida sou eu, pois rezei durante anos para ser a única sobrinha, de modo a tê-lo só para mim, pensando que seria mais amada por ser exclusiva! Ó vida, como dói a desilusão da ilusão! O quê fiz, meu Deus, para ser tratada pior do que um farrapo transformado em tapete da porta de entrada? Onde foi que eu errei?

Eu fiz as maiores loucuras por ele: aceitei tomar sopa fria, comer ovos-moles às colheradas, mastigar nabos estragados, comer macarrão com feijão gelado, porções de frituras gordurentas logo pela manhã, potes gigantescos de nutela… hum…Passei madrugadas inteiras vigiando as sua febres, dei remedinho, dei sopinha na boca, fiz papinhas de aveia com mel, os mais variados tipos de sobremesas, dei apoio moral nos momentos em que os seus intestinos deram nós de marinheiro, o defendi quando alguém quis lhe bater… (pausa para respirar) … ajeitei as cobertas, passei a roupinha, comprei gravatas, levei para passear, comprei sorvetinho, levei ao cinema, comprei pipoquinha, fiquei acordada até amanhecer só para fazer-lhe companhia, dispensei as suas peruas, partilhei da sua insónia, dei conselhos, deixei que ele chorasse aqui ó…no meu ombro! E é só eu arranjar um namorado, que ele começa a dar chiliques? A berrar que não lhe dou atenção? Que já começa reclamar só porque eu não preparo a água da banheira dele? Ó, dor! O quê foi que eu ganhei com tudo isso? Broncas! Puxões de orelhas! Abanões! Tropeções!

Maldita a hora em que aceitei partilhar um blog! Isso aqui virou um campo minado! Aonde quer que eu olhe, lá está ele tecendo injúrias contra a minha pessoa, ameaçando me abandonar, despaixando os outros dois tios suplentes, me trocando por mulheres nuas e me isolando do mundo virtual! O meu tio, aos poucos, tornou-se no meu cativeiro! Alguém me salve! Alguém me acuda! Porque ele não tem janelas nem portas, e eu não consigo sair daqui de dentro!

 Buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Monólogo de um Lençol (Jean Valjean)



Vou alisar-te a pele, sem receios.
Do calcanhar à nuca... a alisar-te.
Teu corpo, tua linda obra de arte.
Tua arte, que me encanta com meneios.

Um palmo meu há de acariciar-te
os bicos túrgidos dos belos seios;
e outro, em teu recôndito, os anseios...
Teu corpo - muito mais que um baluarte.

E quando a pele tua, em arrepios,
te faça então sonhar mil desvarios,
deixa que o sonho embale a tua emoção:

Me aperta contra o peito, com ternura,
que eu, macio, refesto em minha alvura,
hei-de cobrir também teu coração.

Quando a vida perde a razão de ser...

Minha SOBRINHA, minha única SOBRINHA, anda me ignorando.
De novo sem paciência para ouvir os meus lamentos que, pobrezinhos, vêm em dó menor. Eu murmuro dores, ela me castiga com chicotadas.
Eu revelo minhas fragilidades, ela me cobra uma pujança que não tenho.
Acho que vou me suicidar, e pensei em três formas diferentes:

1a - Vou a New York, subo até o alto do Empire State Building e... pulo. Imaginem só! 5a Avenida, eu lá no topo do glamour e... puffffffff!

2a - Vou à França. Paris. La Tour Eiffel, Quai Branly. Subo até o topo e pulo. Eu lá no topo do glamour e... puffffff!

3a - Fico aqui em casa, mesmo. Ligo um CD da Alcione, tomo um copo de formicida, ligo o gás, fecho todas as janelas, tampo as frestas.

Quem quiser sugerir, por favor, aguardo, ansioso. Já que minha SOBRINHA não está mais aí comigo, só me resta o érebo, cruzar o Aqueronte, ir apertar a destra de Caronte. Nada mais quero... ó, dor!