Sabes?
Vários minutos se passam, e aí, de repente, ainda com os olhos fixos na janela, te apercebes de que ela está aberta e de que o tapete encontra-se absolutamente enxarcado. Saltas da cadeira, em total desespero, enquanto te indagas a razão de não teres reparado que a maldita não estava fechada. Descalço, pisas no tapete para fechá-la. Tentas secar o peito do pé, os dedos e o calcanhar no tapete molhado. Voltas para a cadeira e agora olhas para a irregularidade das tuas pegadas. Fixas os olhos no chão enquanto a chuva, lá fora, continua sovando os desabrigados. Segundos depois, despertas para a realidade com a sensação de te terem sussurrado ao ouvido que as pegadas já haviam secado.
Sonolência? Distracção? Evasão do espírito?
Lá fora, continua chovendo pedras de granizo. Aqui dentro, a minha mãe me matará quando souber do tapete molhado.
