Sejamos inteiros enquanto os nossos olhos se reflectirem na água pura do rio que rega e aduba as plantas dos nossos pés. Sejamos uma árvore cujos frutos alimentarão as almas condenadas que se mataram com esperança de começarem a viver. Sejamos juntos, a transparência do infinito, um corpo inatingível, dois amores platónicos destinados a morrer.
Quando o mar abraçar o leito do rio, envelheceremos os dois na porta de casa, com os pensamentos submersos nas nossas próprias marés. Seremos dois cadáveres petrificados, sentados de mãos dadas numa cadeira de crochet. Deixaremos que as raízes das árvores se enrosquem em cada perna, e que os nossos corações adubem as terras inférteis que enlameavam os nossos pés. Submersos, seremos o nada que o nosso espírito se negava a ver, e encontraremos a felicidade de que me falavas, quando encostava a cabeça nos teus ombros enquanto víamos a chuva abrandar. A aurora está no brilho dos teus olhos. Seremos sempre jovens enquanto virmos o rio correr.
( eu queria muito que o blogger colaborasse com a m*rda da edição da postagem. Mas hoje - sei lá eu a razão - esse fdp do c*r*lho resolveu me f*der a p*ta da paciência!)
