domingo, 13 de junho de 2010


Às vezes pergunto-me se fui eu que me tornei insignificante ao ponto de já não enxergar significado no que antes era importante, ou se o que era importante já não é mais porque a importância também desgasta, também desbota como uma roupa velha esquecida no fundo da gaveta. Se assim for, com o tempo, talvez eu me tenha tornado na meia velha que coloco de lado sempre que busco uma mais nova. No pé esquerdo que procura pelo direito sempre que a gaveta se fecha, e no velho trapo que se camufla entre as peúgas novas com uma esperança absurda de ser calçado novamente.

5 comentários:

Jean Valjean disse...

Ou então a conjugação do verbo ser obedece à regra inexorável do devir. Aquela você de ontem ficou algures. A de hoje está para ser lançada além. A de amanhã provavelmente não reconhecerá aqueloutras. Mesmo assim, na de amanhã haverá ressaibos da de ontem e da de hoje. Ressaibos quiritários, olores compungentes, hissopes aspergidos em águas de maior unção... tudo isso fá-la-á ser mais você e, ao mesmo tempo, menos você. "Torna-te o que és" implica necessariamente dizer que a conjugação do verbo ser transita, itinerante, por tempos e modos: eu fui, eu não sou, eu serei ou não serei. Tu não és, tu serás, tu foste e não mais tornarás a ser. Ele fora, ele não é mais, ele talvez fosse o que ela um dia foi, se o que ela hoje é ressumasse àquilo que teria sido se houvera então a crença de que jamais poderia vir a ser.
Algo assim, sobrinha.
Abreijos carinhosos do seu tio, hoje sem surto

afonso rocha disse...

Eh! Jean!....
Para quê tantas palavras?
A vida é assim mesmo...
Ela simplesmente (a Cô) reparou que está mais crescidinha...
Só isso!!!!
sem drama...e sem galochas como o tio...né?
Cô, um beijo e bem vinda ao mundo "divertido" dos adultos...eheheh

Le Vautour disse...

Vim para concordar com o Afonso.
Jean, está na hora de você parar de ser super-protetor e deixar a moça crescer, sempre. E agora, que ela vai embora estudar em outra Cidade?
Abraços de duas asas a todos!

Cosette disse...

Não sejam assim. O meu tio limitou-se a dar um nó no meu pequenino cérebro, como de costume, devido a sua genialidade não confessada.
Quanto ao ser super-protetor ou não, deixem-no assim. Há dias em que eu tenho a certeza de que ele é o sobrinho.

Beijos à todos, principalmente ao Vautour, ingrato, que nos abandonou.

Jean Valjean disse...

Gente, o que eu falei, falei de boa-fé, para a pequena-grande creatura. Às vezes ela é sobrinha, às vezes o sobrinho sou eu, já que espírito não tem idade. Quanto à pequenez de cérebro, o parvo da relação familiar sou eu, e isto está patente para qualquer um que nos leia.
Vautour, por que anda a sobrevoar tão pouco estas nossas plagas?