quinta-feira, 13 de maio de 2010

"On line na cama" - parte III

Eu vivo sozinho. No trabalho, em casa, nas ruas da paulicéia (vou deixar o acento aí, pois é nele que assento minha pronúncia... fucking pun...).
Sou um homem acossado pelos tormentos do corpo e da alma. Ninguém me ama, ninguém me quer.
Meu escritório, que divido com mais 6 sócios tão esfaimados quanto eu, fica numa garagem de uma casa no subúrbio. As mesas, nós as recebemos (em doação, mesmo) de uma instituição de caridade para a qual prestamos algum serviço advocatício pro bono. Lá temos que dividir, os 7, um computador. Só um. Se Érico Veríssimo nos houvesse conhecido, teria escrito "Éramos Sete"... se Letícia Wierzchowski nos houvesse conhecido, teria escrito "A Casa dos Sete Condenados".
As mesas... ah, as mesas são apenas 3. Era o que havia na instituição. Mas tudo bem (do verbo mastudobar). Enquanto dois de nós ficam na porta da cadeia, dois ficam no fórum criminal e os outros três ficam no escritório. O que estiver com trabalho fica diante do computador, um pecezinho de 1995. Temos também duas máquinas de "datilografia" (alguém sabe o que é isso?) marca Remington, as duas de 1948, quando o tio de um dos meus famélicos colegas concorreu à vereança em São Paulo e... saiu-se derrotado.
De derrota em derrota, montamos nosso escritório. Pagamos um aluguel consideravelmente baixo: R$ 250,00 por mês, o que a dividir-se por 7, calculem, resulta em poucos centavos a mais que 35 reais para cada um.
Quando chega o fim do expediente, porque estejamos numa garagem, temos de recolher as mesas, as máquinas e o computador, pô-los todos sobre um móvel que há ao fundo, para o marido da mulèzinha que nos aluga o espacinho poder guardar ali o seu Fusca 68 (eu ia dizer 69, mas não pega bem).
Pois sim... são dias rudes, amargos, e a única alegria que tenho é conversar com minha sobrinha.
Quando chego à minha casinha, à noite (moro do outro lado da cidade, no outro extremo, periferia também), ligo o meu pecezinho 1990, que recebi de presente de um ex-chefe, e então aciono o Trillian (pois não tenho memória ram para MSN... ah... as lágrimas começam a escorrer-me dos olhos, passam a jorrar, aos borbotões, e me perlam as bochechas-fix) e peço à minha sobrinha para conversarmos um pouco:
- Cô, meu anjo, tudo bem?
- Oi, tio, estou on line na cama.
Compreendo e desligo. Tomo uma dose extra de antidepressivos (que recebo do SUS) e vou deitar. É a vida, é a faina de um renegado.

11 comentários:

Cosette disse...

Nossa, que melodrama, que tragicomédia, que 'comediodrama' do catano.
Olha eu aí, mais uma vez retratada como uma sobrinha fria, distante, desinteressada, cruel...
Atéee parece! Logo eu, que muito recentemente fui verbalmente pisoteada e, ainda assim, dei o meu perdão!
A única coisa que salva neste texto todo é o teu Rex. Sou apaixonada por ele.Ah sim, e pelas bochechas-fix :D!

Juízo tio, juízo...

Le Vautour disse...

Bochechafix, bem disse a Cô: isto é melodrama, é dramalhão mexicanso. Eu deveria chamá-lo Jean Manuel Chávez, ou algo assim. A moça é uma santa por aguentá-lo assim, numa boa. Olhe que eu a convido para abrir um blog comigo, e ela vai largar você. Nossa, vou arrumar uma creche para cuidarem de você, que mais parece, hoje em dia, uma criança mimada!
Eu guento isso??

Cosette disse...

Ih Tio, o Vautour tá me arrastando as asinhas. Olha que eu vou, hein, ele tem um forte poder de persuasão e a carne é fraca.

Jean Valjean disse...

Ah, ingrata... vai, é? É só aparecer o primeiro desconhecido e lhe fazer um aceno, que você vai? Vá então, ó creatura volúvel... Humpf!

Sarah Slowaska disse...

Cosette, se você for, diga, que eu o ado(p)to.

Cosette disse...

Sarah, vai embora! Xô xô xô! Xô assombração! Chispa que o tio é meu!

Jean Valjean disse...

Cô, tá vendo? Você ameaçou chispar para perto das asas do Vautour, mas a Sarah, uma intelectual interessantíssima, já me chamou com um jeito sedutor e praticamente irresistível. É você que sabe, agora. Não adianta chamar a moça de assombração, pois eu não quero ser exorcizado. Decide aí: ou trata melhor o pobre tio, ou vou com a Sarah, e pronto...
Hehehehehehe
Sarah, abreijinhos!

Cosette disse...

Seu traidor, Judas! Tratar melhor? Quem acompanha(?)este blog, sabe o que está acontecendo aqui. Existe uma máfia conspirando contra mim!
Vai lá então...Duvido que vá. Ela é chata, feia e cheira mal. Até o abutre cheira melhor que ela.

Jean Valjean disse...

A Sarah cheira mal? Só se ficar uns dias sem tomar banho. Acho que na hora em que ela sai do banho, toda perfumada e lânguida, tendo usado cremes hidratantes e óleos variados, deve ser um prato cheio hahahahahahahahahaha

Le Vautour disse...

Valjean, você já foi mais comportado, não?

Cosette disse...

Foi? Quando? Se não sou eu a adestrá-lo...