domingo, 28 de março de 2010

Espírito Lisboeta



Eu nunca fui uma pessoa propriamente religiosa, mas sempre acreditei que detrás daqueles mantos de aguaceiros, encontrava-se alguém de cabelo grisalho, sentado na sua poltrona celestial, observando os meus movimentos. Não faria sentido a vida presentiar-nos com um céu e universo tão imensos, se não existisse alguém que cuidasse deles. Eu fitava o Olimpo tentando encontrar respostas. Procurando a saída de um labirinto desenhado pelas minhas próprias mãos. O céu respondia-me com chuvas torrenciais, desmoronamentos de terra e com o silêncio. Com a mesma tranquilidade que se sente depois de uma tempestade. Com a quietude pós chuva, onde ouvimos o cantar dos pássaros escondidos nos ninhos. Onde se escuta o chacoalhar das folhas e o cair das pétalas no solo ensopado. Era isso que eu ouvia ao mirar o Tejo: o cantar dos pássaros em cima das árvores, e o passar do tempo reflectido no seu leito.

Um comentário:

Le Vautour disse...

Não seria o Velho de Restelo?
Hehehehehe, brincadeirinha. Ah, o Tejo. Acho que é lá que Deus se banha, quando quer ter paz e sentir a grandiosidade da Natura.