terça-feira, 16 de março de 2010

Cosette.




Há dias em que me vejo como um ser cretino. Ignorante de tudo e que o pouco que sabe, desconfia. Há dias em que me vejo como um ser cretino que insiste que acreditar em si mesmo é a melhor saída. Noutros, considero-me mais cretina ainda, por não inspirar confiança. Desconfio da minha própria sombra. Na rua, paro para que ela passe na minha frente. Quando me sento, sento-me nela para que não fuja de mim. Quando me levanto, ergo-me depois dela. E assim, vamos indo. Sempre num gerúndio mais longo do que qualquer universo ou oceano fundidos. 

7 comentários:

Le Vautour disse...

O gerúndio não é um presente sempre presente?

Cosette disse...

É...é um presente caminhante.

Jean Valjean disse...

Esse Vautour é meio metido, não?
Ele está dando em cima de você?
Precisa me pedir a bênção.
Não me espanto, seja o seu texto de ficção, real ou o que for. A minha vida ficcioreal é exatamente assim!

Cosette disse...

É claro que está dando em cima. Voando em cima. Pairando em cima. Os abutres adoram uma carniça.

Le Vautour disse...

People, eu só sobrevôo, mais nada. Não quero me intrometer na família de vocês, apenas ler o que escrevem. É que a sobrinha escreve melhor que o tio, pelo que merece mais elogios.

Cosette disse...

Ah Vautour, eu gosto muito de ti, mas esta coisa de que: " a sobrinha escreve melhor que o tio", está me tirando do sério.

Jean Valjean disse...

Eu concordo com o Vautour, pois sim. A sobrinha escreve mesmo melhor que o tio.