sexta-feira, 12 de março de 2010

Os seres humanos somos tão frágeis!

Sob a armadura do corpo, o elmo do rosto sorridente – embora mal acobertando os olhos baços e talvez úmidos –, os guantes das mãos bem ajustados, a proteção do corpo intocável, sob todo esse aparato de defesa, somos débil chama de uma vela tangida pelo vento: se este é mais brando oscilamos, mas nos mantemos acesos; se mais forte...
Pessoas tão bonitas, corpos tão bem talhados, roupas tão novas e caras e, por baixo disso tudo, somos delicados como as asas da libélula.
Vede quantos sofrem de solidão, embora em meio à mole ridente! E quantos sorriem para disfarçar o pranto copioso? Quantos se ufanam das relações multitudinárias, mas dariam fração considerável da vida para achar quem os amasse?
E assim caminha o ser humano, protegido pela grossa epiderme, empunhando a lança da ousadia, o gládio da agressividade e o escudo da ufania, só para lutar contra o medo que o reles vislumbre de sua condição humana lhe causa.
Sou capaz de imaginar muitas pessoas vendendo a alma para o diabo, a fim de se haverem só um pouquinho com Deus. Ou é loucura da minha cabeça?

2 comentários:

Cosette disse...

Não sei bem. Acho que existiriam aqueles que tentariam lucrar com a venda da própria alma, e aqueles que a ofereceriam sem pestanejar. Algumas o 666 aceitaria, outras, não tenho a certeza. Acho que, no fundo, até ele se espanta com a decadência da alma humana. Não lamenta, apenas se espanta. Eu me espanto, e tenho algo dele em mim.
Há muita solidão por aí, é verdade. Há muita tristeza maquilhada. Por trás de cada rosto, há sempre um grande desgosto. Mas o que se há-de fazer? Faz parte. Há quem lide com isso se abarrotando de jóias raras, e outros catando latinha na rua. Existem aqueles que têm coragem de se encarar, feito Narciso; E outros que se negam terminantemente a se enfrentarem; se desnudarem e mergulharem. Uns mergulham e afundam, há os que mergulham e naufragam; outros mergulham e bóiam; outros mergulham e chegam à margem; etc.
E há aqueles que têm o péssimo hábito de se esconder, né? Estes só internando.

Le Vautour disse...

Eu - que chego aqui voando - acho que o melhor lugar para a gente se esconder é (como seus lindos e profundos textos sugerem, Cosette, sobrinha do Valjean) em nossos abismos interiores. Alguém já disse isso?