sexta-feira, 12 de março de 2010

No cume da minha casa... (lembra desta, sobrinha?)

No cume da minha casa
Eu plantei uma roseira.
As rosas no cume ornam!
Perfumam a casa inteira!

As rosas no cume nascem,
As rosas do cume caem,
As rosas no cume brotam,
Rosas no cume florescem
E os vizinhos agradecem,
E rosas no cume botam!


Elas o cume perfumam,
Bem como o cume adornam.
Espinhos no cume existem,
Mas também o cume exornam!

Uns passarinhos, danados,
As rosas no cume viram!
No cume bicaram tanto,
Que elas do cume caíram...

Moleques da vizinhança
Também no cume subiram.
Treparam no cume, tendo
Nas mãos um pau que brandiram.

Com o pau, ao cume treparam;
As rosas no cume mexendo,
O pau no cume batendo,
Eles o cume estragaram...

Mas os vizinhos, bondosos,
Vieram me socorrer!
Todos muito prestimosos,
Queriam no cume ter
As rosas que o cume tinha,
Que eles no cume puseram,
Porque no cume convinha!
E um novo cume fizeram!

Mas eu, honesto que sou,
Já que eles ao cume foram,
E porque no cume entraram,
Todo o cume reformaram,
E rosas no cume puseram,
Decidi fazer assim:
O cume tido por mim
É o cume tido por todos.

Desde então, a vizinhança
No cume deixo subir.
Lá vai o velho, a criança
E quem ao cume quer ir.

Porque no cume plantaram
A perfumada roseira;
Porque o cume adornaram,
E a planta no cume cheira;
Porque se um no cume mexe,
Sabe a vizinhança inteira!

Como deparei com um incidente de plágio há pouco tempo, melhor eu esclarecer - o que já está nos comentários, mas ainda não aqui. Estas trovas não são de minha invenção: elas são muito conhecidas no interior de Minas e de São Paulo, e cada trovador faz a sua versão. O início é sempre o mesmo: 'no cume da minha casa...' e o restante fica para a criatividade de cada versejador. Esta é a minha versão: não tive a idéia de criar, mas a de desenvolver novas trovas, ou seja, a de dar cores ao cume de outro alguém.

4 comentários:

Cosette disse...

Eu AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO esta coisa. Não consigo ler sem rir no meio do caminho. É algo de génio, mesmo. Nossa. Não vivo sem!! AMOOOOOOOO !

Le Vautour disse...

Acho que o Valjean CUME teu um crime ao escrever esta porcaria, mas vá lá...

Jean Valjean disse...

Cô,
estes versos não são ideia minha. Acho que falei quando os publiquei pela primeira vez, não? São trovas populares que existem desde sempre no interior de SP e MG; entretanto, o que acontece? Cada autor os recria, como se decorasse o seu cume ao seu modo. A gente roda estes interiorzões da terra do 'café com leite' e ouve várias versões. Um dia, resolvi fazer a minha. O mais legal é ouvir os trovadores falando do seu cume. É isso.

Cosette disse...

Falou? Não me lembro. Não interessa, não importa. Esta é a melhor de todas! Não tem para ninguém! Sublinho, de génio.
Para mim, esse Vautour mooorree de inveja do meu tio. Não sei a razão, porque ele também escreve muito bem! Talvez, porque Jean tem uma sobrinha toda fashion, e ele não....hum.......