sábado, 24 de julho de 2010

Fuga.



As palavras são pequenas pessoas
Que, quando juntas, formam uma cidade
Fantasma dentro de mim.

Tijolo à tijolo,  
Constroem significados
E albergam entre as telhas
Dos telhados, as respostas
Que procuro.

No escuro,
Acendem suas lanternas,
Entrelaçam suas pernas,
E começam a escalar
Todo o meu corpo.

Torno-me
Na mais alta das montanhas
Enquanto durmo.
E quando acordo, sem voz
Nem melodia que me dê corda,
Vomito as entranhas de Procusto. 

As palavras
São pequenos monstros
Aos quais fujo,
Mas elas me perseguem
Dentro de um labirinto
Onde somente Dédalo encontra
Subterfúgio

Cansada, deixo-me levar
Pelo Touro branco 
Em que Zeus se transforma
E vou embora, encontrando
Na Europa, o meu refúgio.

5 comentários:

Mari disse...

As palavras...essas têm um peso e um poder enorme...sempre.

Você escreve muito bem guria.

:)

Jean Valjean disse...

Simplesmente lindo...

Le Vautour disse...

Eu, se fosse seu tio, teria vergonha de escrever ao seu lado. Sua superioridade é incontestável.
Eu babo aqui. Ruflo asas, tentando bater palmas. This is the place. This is the girl! God bless you!

Cosette disse...

Mari e tio: Obrigadaa! :)

Cosette disse...

Vergonha? Tem sim, às vezes. Mas não tem nada a ver com aquilo que escrevo, afinal, se sei o que sei é graças ao meu tiozão fofíssimo, bolachinha.

Beijo Vautour!