quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Mar...

"As marítimas águas consagradas
que do gado de Proteo são cortadas."
(Camões)
Fui viajar. Fui para uma das paragens da Costa Brasileira. Embora não tenha ido só, em dado momento aluguei um barco. Precisava pensar. Era eu (O Velho) e ele (O Mar) - this old man and the sea.
Na hora em que o barqueiro ligou o motor a diesel, pensei em Caronte, mas... quê!? Foi aí que a vida começou.
À medida que nos afastávamos do cais, aquietei-me. O oceano imenso ao meu redor era o mundo subconsciente: cheio de seres que desconheço e jamais virei a conhecer; só que aquele subconsciente é navegável, e "navegar é preciso". O timoneiro traçou uma rota de acribologia imparagonável, e ia me levar a lugares os mais incongruentes, embora não soubesse.
Enquanto ele pervagava a imensidão equórea, eu submergi em meu mundo, em meu oceano interior.
Vi montanhas de dificuldades, cormorões esfaimados, gaivotas à cata de raiozitos de luz, albatrozes à procura de ilhas sobre que se escondessem, as asas imensas, as asas tronchas e cansadas...

2 comentários:

Cosette disse...

E por acaso quando você submergiu em seu oceano interior, não encontrou o Vautour? Estou certa que sim. Ele com as suas asas enormes e seus voos altíssimos, certamente te presenteou com um abraço de duas asas.

Le Vautour disse...

Não encontrei o Valjean, não. E a impressão que tenho é de que ele teve medo de se atirar ao mar. Limitou-se a observar o que via ao redor, como sói ser em sua vida lenta, de ramerrão quase insuportável.

Obrigado, Cô, por se lembrar deste ser sarcofágico. Abraço de duas asas!