sexta-feira, 23 de julho de 2010

Margaridas I e II


Margarida I

Sonhei com a margarida
tão cheia de aroma,
tão cheia de vida.

As pétalas tão macias,
que eu cheirava com cuidado
que eu sentia, inebriado.

Pus as pétalas na boca
e num instante o desejo
tomou-me a mente, tão louca.

Bom sentir aquele cheiro,
seu perfume alvissareiro,
orvalhada de prazeres.

Tomar o orvalho, com sede.
Lamber os lábios de orvalho,
sem deixar nada escorrer.

Seu orvalho, seu perfume...
Da Natureza, um ciúme
no meu peito vi nascer.

Margarida II

Refeito do sonho louco,
esfreguei os olhos baços,
já vermelhos de cansaços.

Sonhei com a Margarida,
mas o desenho animado,
sem perfume, sem agrado,
só a graça pueril.

Ri bastante do meu sonho,
que me deixou bem cabreiro.
A margarida de olores
perfumados com calores
era de outro jardineiro.


8 comentários:

Cosette disse...

Ei, que sonho lindo! Mas que outro jardineiro? Aquela primeira margarida era tua sim!Era tão tua que se transformou nestes versos perfumados
O sonho é o único local onde tudo nos pertence.

Um beijo!

Mari disse...

Vc não existe, né?

Jardineiro esse que perdeu todas suas ferramentas de jardinagem.

Lindo isso.

:)

Jean Valjean disse...

Ih, Cô, é uma longa história. Na verdade, são versos nascidos de um mito construído na cabeça após uma narrativa. É claro que há realidade em toda fantasia, mas aqui seu tio pára nas proibições da vida, sabe? Além do mais, a margarida tem mais é que ter liberdade, e não ficar presa a um jardineiro.
Beijinho do tiozinho bonzinho!

Jean Valjean disse...

Ah, Mari, mas essa margarida aí ela tem que brotar no campo, para ser livre tanto quanto possa!
Abreijos!

Le Vautour disse...

Valjean, estes versos são eróticos ou meramente metafóricos? Explique para nós, os que estamos de fora, por favor.

Cosette disse...

Não explique não...

Jean Valjean disse...

Ora, Vautour, muito me surpreende sua pergunta. O erótico pode ser metafórico, e vice-versa.
Ou não?

E aí, Cô? Eu me cô-mpliquei?

Cosette disse...

Prá variar.